Pressione enter para pesquisar

El Niño deve se manter forte nos próximos três meses, diz NOAA

O evento deve continuar forte durante o inverno do hemisfério Nort, que corresponde ao verão no hemisfério Sul, seguindo para um estágio de neutralidade somente no final da primavera

22 de Dezembro de 2015 Publicada as: 09h12

O El Niño deste ano continua chamando a atenção de produtores rurais não só do Brasil, mas de todo o mundo em importantes regiões produtoras, além de especialistas em clima. E segundo as últimas informações do NOAA, o departamento oficial de clima do governo dos Estados Unidos, o fenômeno amadureceu. Durante todo o mês de novembro foram observadas temperaturas bem acima do normal das águas em toda a superfície leste do oceano Pacífico, e agora as mesmas começaram a cair na subsuperfície.

Ainda assim, o NOAA afirma que a maioria dos modelos analisados indicam que o evento deve continuar forte durante o inverno do hemisfério Norte – que vai de 21 de dezembro a 21 de março, e que corresponde ao verão no hemisfério Sul -, seguindo para um estágio de neutralidade somente no final da primavera, início do verão. O departamento não fez qualquer menção, em suas últimas previsões, de uma possibilidade de transição do El Niño para um La Niña.

“O consenso entre as previsões continua, praticamente, inalterado em relação às últimas previsões, com expectativas de que esse é um dos mais fortes fenômenos desde 1950″, reportou o último boletim da instituição.

Impactos

E os efeitos do El Niño continuam a ser sentidos. No Brasil, o clima se msotra tão irregular entre as regiões do país que as culturas de verão vêm sendo castigadas por eventos extremos, como extensos períodos sem chuvas no Centro-Oeste, Nordeste e alguns estados do Norte ou com o excesso delas no Sul.

No Piauí, não chove há quase 30 dias e a reserva hídrica do solo é quase inexistente. Segundo relato do representante da Aprosoja Piauí, Altair Fianco, as lavouras de soja plantadas e que contam com a cobertura da palhada são que resistem um pouco melhor, enquanto nas demais, onde não há esse componente, as plantas já morreram. O prazo para a conclusão do plantio em um tempo que possa ser útil, de acordo com o produtor, termina em 30 de dezembro. Depois disso, a alternativa será migrar para o milho.

Já no Maranhão, na região de Balsas, os sojicultores também estão atrasados com a semeadura da oleaginosa já que a falta de chuvas passa de 30 dias. Também por conta do clima mais quente e seco, o ataque de pragas se intensificou, mais precisamente o da lagarta elasmo na região. Ainda assim, alguns produtores apostaram no replantio, mesmo com pouco tempo e com outros que ainda nem iniciaram os trabalhos de campo.

No Tocantins, a estiagem também está ocasionando a mortes das plantas na área de Darcinópolis, e os produtores locais ainda estão avaliando as possibilidade de uma resemeadura, já que nem mesmo plantio foi finalizado. A espera deve durar até o dia 10 de janeiro, segundo explicou o produtor rural Marcílio Marangoni.

Em Mato Grosso, maior produtor brasileiro de soja, as poucas chuvas que chegam são localizadas, de baixo volume e muito irregulares. Assim, já começam a ser contabilizadas as áreas perdidas por conta da seca e, em alguns locais como Tapurah, vinham sendo registrados focos de incêndio nas plantações de soja. Alguns sojicultores já amargam prejuízos de 100% e o plantio no estado tem o maior atraso dos últimos sete anos, de acordo com os últimos número do Imea. (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária).

Enquanto isso, o sul de Mato Grosso do Sul é uma das áreas mais afetadas pelo excesso de chuvas, assim como acontece no Sul do Brasil. Nesta quinta-feira (11), o governo do estado já havia decretado situação de emergência em 14 municípios. De acordo com informações da Climatempo e do portal Terra, na última semana, uma barragem se rompeu em Caarapó e, no final do último mês, uma estrada se afundou em Tacuru, cidade na qual, em novembro, o acumulado de chuvas chegou a 750 mm.

O município é ainda importante produtor de soja de Mato Grosso do Sul e o atual cenário climático já vem ameaçando de forma bastante severa a produtividade da oleaginosa. Segundo relatou Roger Bolsoni, produtor local, por conta dos solos extremamente úmidos, não é possível entrar nas lavouras para a realização dos tratos culturais e a incidência doenças aumenta.

No Rio Grande do Sul, quadro semelhante. O excesso de umidade e a falta de luminosidade já vêm limitando o desenvolvimento das plantas, que apresentam uma coloração de verde mais claro e estatura menor, como explica o fisiologista Elmar Floss. Apesar do elevado potencial de recuperação da cultura, a produtividade pode ser comprometida, uma vez que o aparecimento de pragas e doenças ganha força.

Fonte: Notícias Agrícolas

Voltar

Indicadores
econômicos